quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Voluntário

O voluntário é alguém que crê.
Crê no Evangelho e, portanto, age.
Não faz acordos com o mundo.
Quer levar o fogo, sabendo que é fogo o Reino de Deus sobre a Terra. O fogo age nele e se alimenta, criando em torno de si a revolução evangélica.
Vê as conseqüências potentes do Evangelho:
"Bem-aventurados os mansos porque possuirão a Terra". Não é possível ser voluntário se não se propõe a conquistar a Terra inteira, a fim de atuar o desejo supremo de Jesus: "Que todos sejam um".
"Dai a vos será dado". O voluntário ama e, assim, dá e se torna um rico que enriquece espiritualmente ou materialmente os outros.
"A quem me ama, eu me manifestarei”. O voluntário não fica contemplando o amor, mas ama. Deus se manifesta dentro dele. Não é uma marionete em poder da esposa ou do marido, do chefe, das circunstâncias. Amando, sente que não está sozinho, mas que alguém dentro dele o guia. O amor, o entusiasmo nele torna-se luz e essa luz, submetida à Igreja pode ser vista.
Com isso, o voluntário se torna um instrumento de Deus e, se Deus age nele, o que ele fará?
Uma revolução!
O voluntário sabe, porém, que no Evangelho existem leis das quais não pode prescindir: "Se o grão de trigo cai na terra e morre, produz grandes frutos". O voluntário vai á cidade, semeia...mas sabe que, para produzir frutos, a semente deverá consumar-se e morrer.
O Evangelho reflete a vida do Primeiro Voluntário, que terminou na cruz... portanto, o voluntário se prepara, se Deus o quiser, também para o martírio e, por enquanto, ama o crucifixo dia após dia.
O voluntário tem um grande lema; segue um chefe que diz: "Se alguém vem a mim e não renuncia a seu pai e sua mãe, à esposa... não pode ser meu discípulo”.(pede pureza de vida)
"Quem quiser me seguir, renegue a si mesmo". (obediência às leis divinas)
"Bem aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino de Deus" (pobreza).
E Jesus teve mais discípulos que qualquer outro jamais teve, porque a cruz cria uma abertura na alma e traz a luz, a plenitude da alegria, da vida.

O voluntário que vive como Jesus verá o mundo se revolucionar.

Chiara Lubich

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Vontade de Deus

Caminhar no raio da vontade de Deus

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Conversão

Converter-se no momento presente.

Deus vai morar junto deles. Eles serão o seu povo

“Esta é a morada de Deus-com-os-homens. Ele vai morar junto deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus-com-eles será seu Deus.”

A Palavra de Deus deste mês nos interpela. Se quisermos fazer parte do seu povo, devemos deixar Deus viver entre nós.

Mas de que forma isso será possível e como fazer para desfrutar um pouco, antecipando já nesta Terra, daquela alegria sem fim, procedente da visão que teremos de Deus?

Foi justamente isso que Jesus revelou; é precisamente este o sentido da sua vinda: comunicar-nos a sua vida de amor com o Pai, para que também nós a vivamos.

Nós, cristãos, podemos viver esta frase desde já e ter Deus entre nós. Para tê-Lo entre nós, são necessárias certas condições, como afirmam os Padres da Igreja. Para Basílio, é viver segundo a vontade de Deus; para João Crisóstomo, é amar como Jesus amou; para Teodoro Estudita, é o amor mútuo e para Orígenes, é o acordo de pensamento e de sentimentos a fim de alcançar a concórdia que “une as pessoas e contém o Filho de Deus” .

No ensinamento de Jesus está a chave para fazer com que Deus habite entre nós: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34b). A chave da presença de Deus é o amor mútuo. “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós” (1Jo 4,12) porque: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20), diz Jesus.

“Deus vai morar junto deles. Eles serão o seu povo.”

Portanto, não está tão longe e não é inatingível o dia que assinalará a realização de todas as promessas da Antiga Aliança: “Minha morada estará junto deles. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (Ez 37,27).
Tudo isso já se realiza em Jesus, que continua, para além da sua existência histórica, presente entre aqueles que vivem segundo a nova lei do amor recíproco, ou seja, segundo a norma que constitui o povo de Deus como um povo.

Essa Palavra de Vida é, portanto, um convite insistente, sobretudo para nós, cristãos, a testemunharmos com o amor a presença de Deus. “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). O mandamento novo vivido dessa forma coloca as premissas para que se atue a presença de Jesus entre os homens.
Não podemos fazer nada, se essa presença não estiver garantida; presença que dá sentido à fraternidade sobrenatural que Jesus trouxe à Terra para toda a humanidade.

“Deus vai morar junto deles. Eles serão o seu povo.”

Mas cabe especialmente a nós, cristãos, mesmo pertencendo a diferentes comunidades eclesiais, dar ao mundo um espetáculo de um só povo composto por todas as etnias, raças e culturas, por adultos e crianças, por pessoas doentes e sadias. Um único povo sobre o qual se possa dizer, como se dizia dos primeiros cristãos: “Vede como se amam e estão prontos a dar a vida uns pelos outros”.

É esse o “milagre” pelo qual a humanidade anseia para poder ainda ter esperança. (...) É um “milagre” que está ao nosso alcance, ou melhor, ao alcance Daquele que, morando entre os seus que estão unidos por meio do amor, pode transformar os destinos do mundo, levando a humanidade inteira à unidade.

Chiara Lubich

Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em janeiro de 1999